Uma das atividades da disciplina de Design de Personagens que estou cursando, consistia em fazer a adaptação de alguns personagem da literatura para um outro meio. Aí eu mais as brilhantes colegas Gizelle Maciel e Roberta Salagnac decidimos pensar como seria trazer o universo d’O Pequeno Príncipe para os quadrinhos.

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Caso você só saiba por cima, O Pequeno Príncipe foi um livro escrito pelo francês Antoine de Saint-Exupéry e publicado pela primeira vez em 1943, nos Estados Unidos. A princípio, parece ser um livro infantil, mas as reflexões que ele é capaz de despertar possuem um profundo caráter filosófico, que nem todo adulto consegue alcançar. Dizem que o melhor é ter a experiência de ler este livro quando criança, e depois relê-lo quando adulto (eu recomendo isso e a leitura nas fases intermediárias e posteriores também).

Em 1974, o livro recebeu uma adaptação para o cinema, com o Gene Wilder (adoro esse cara!) no papel de Raposa.

Os que viveram a infância no final dos anos 1980 / início dos 1990, vão lembrar que também há uma adaptação em desenho animado das aventuras do principezinho, que era exibida no SBT. Essa animação foi produzida no Japão no início da década de 1980, e tem 26 episódios.

Assim, mesmo sendo uma atividade que ficaria mais restrita à turma da disciplina, nós tínhamos ideia da responsabilidade que era lidar com a tarefa de adaptar personagens dessa obra. Mas lidamos com isso tentando fazer o nosso melhor.

Definido o meio para o qual faríamos a adaptação (quadrinhos), foi o momento de selecionar os personagens. Tínhamos que escolher apenas três e, além do próprio Príncipe, escolhemos a Rosa, por ser uma das principais motivações do protagonista e a Raposa, por ser a personagem que nos dá a lição que talvez seja a mais conhecida do livro.

Uma das particularidades que definimos foi que essa adaptação não seria para uma “versão em quadrinhos do livro”, mas para uma série de histórias que apenas usariam os personagens e seus conceitos, em outro cenário (talvez uma escola, talvez um playground… não chegamos a definir isso muito bem porque não era o nosso foco no momento).

Isto posto, começamos a pensar algumas características básicas que os três personagens deveriam ter, baseados em suas descrições no livro e nas percepções do que achávamos que deveria permanecer ou ser retirado para esta adaptação, levando em conta uma estética mais próxima da atual. E definimos o seguinte:

Pequeno Príncipe

• Explorador;

• Perguntador insaciável, mas que também escuta muito;

• Casaco aristocrático;

• Cabelo loiro e lenço dourado;

• Pele pálida e bochechas rosadas.

Rosa

• Bela;

• Egoísta, narcisista e mimada;

• Deveria possuir forma humanoide;

• Suas roupas deveriam remeter à flor;

• Tem muito orgulho dos seus espinhos.

Raposa

• Esperta;

• Carente;

• Deveria também possuir forma humanoide;

• Estilo “caipira”;

• Orelhas, olhos e cauda de raposa.

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Definidas essas características e mais outros detalhes, passamos à parte em que eu comecei a esboçar o visual dos personagens, sempre com o acompanhamento da meninas. A seguir, os primeiros esboços.

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Aqui, nós vemos os primeiros estudos para o Príncipe e a Raposa. No Príncipe, o aspecto explorador foi ressaltado pelo cajado, as luvas e também pelas botas (que são, na verdade, uma espécie de all-star de cano longo, hehe). O casacão acabou se tornando um colete também (com direito à referência ao asteroide B-612!).

A Raposa deu um pouco de trabalho, até eu chegar numa concepção que me agradasse o suficiente para mostrar às meninas. Ora ficava com cara de esperta demais, ora ficava muito simples… Mas no fim, acabei achando um meio-termo adequado. Percebam que a cauda que ela originalmente teria foi parar no cabelo, como um rabo-de-cavalo (de raposa, na verdade! =P)

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Na primeira concepção da Rosa, eu quis simplificar tudo ao máximo. Achava que um vestido cheio de babados e um cabelo muito elaborado ia fazer  com que ela destoasse demais dos outros personagens. Mas o resultado foi que ela ficou parecendo uma vovozinha! Então foi hora de voltar à mesa de desenhos e pensar em outras soluções para a nossa princesinha mimada.  Uma característica que eu gosto muito dela é como resolvemos a questão dos espinhos: eles viraram duas pulseirinhas com spikes! Isso automaticamente a torna uma princesinha do rock! o/

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Definidos os formatos principais dos personagens, o próximo passo foi a criação dos model sheets. Model sheet é um documento usado para padronizar o visual de um personagem, muito utilizado em projetos que envolvem vários profissionais (como em animações, por exemplo), mas também em projetos com menos pessoas. Sua principal função é manter a consistência visual dos personagens e por isso, nessas pranchas, eles são desenhados em muitos ângulos diferentes. A seguir, os model sheets dos nossos três objetos de estudo.

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Não reparem nas caras de tacho deles nessas pranchas. Model sheets devem ser assim mesmo. Para mostrar coisas como as posições mais comuns do corpo, expressões faciais e personalidade, existem as concept arts. No caso da nossa atividade, tendo em vista o prazo que tínhamos para trabalhar, apenas um concept contendo todos os personagens foi exigido. E é com ele que vamos finalizar o nosso post de hoje. Você pode clicar na imagem para ver maior. =)

O resultado final dessa atividade atingiu as nossas expectativas visualmente e conceitualmente. Também me foi muito rico o contato com essa obra que infelizmente não li na primeira infância (mas fica aqui anotado: se algum dia eu tiver uma oriebirzinha ou um oriebirzinho, essa criança vai se aventurar com nosso pequeno explorador tão logo possa ler por seus próprios meios).

Porque, afinal de contas, tu és eternamente responsável por aquilo que cativas.

Abração! Até a próxima!

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